Na semana passada estive ouvindo bastante "O Descobrimento do Brasil".
Para mim é o melhor album da Legião dentro de um conceito próprio de album. As músicas, em ordem, giram em torno de uma certa lei. Quase uma ópera, para quem quiser ver.
A crítica às mazelas da política do país estão muito evidentes. E não são berros descabidos. É crítica inteligente, contudente e de classe. Isso além das melodias simples e mais maduras da Legião em 1993, ressaqueada do porre Collor.
As músicas onde isso fica mais claro são "Perfeição" (que tem aquela linda mudança de estação: "venha, meu coração está com pressa, quando a esperança está dispersa...") e "A Fonte".
Vale a pena escutar para pensar um pouco no freak show de todo dia do horário eleitoral.
Fiz essa ilustração pensando em "A Fonte", com aquela melodia de teclados bem marcada na cabeça. Tem a ver principalmente com os últimos versos.
Nem toda canção de amor é para uma só pessoa.
Às vezes é para 170 milhões.
A Fonte
Legião Urbana
O que há de errado comigo? / Não consigo encontrar abrigo / Meu país é campo inimigo e você finge que vê, mas não vê /
Lave suas mãos porque é à sua porta que irão bater / Mas antes você verá seus pequenos filhos trazendo novidades /
Quantas crianças foram mortas dessa vez? / Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você. / Você finge não ver e isso da câncer /
Não sei mais do que sou capaz / Esperança, seus lençóis têm cheiro de doença / e veja que da fonte sou os quilômetros adiante / Celebro todo dia minha vida e meus amigos / Eu acredito em mim e continuo limpo /
Você acha que sabe mas não vê que a maldade é prejuízo / O que há de errado comigo? / Eu não sei nada e continuo limpo /
Do lado do cipreste branco / à esquerda da entrada do inferno, / está a fonte do esquecimento / Vou mais além, não bebo dessa água / Chego ao lago da memória / Que tem água pura e fresca / E digo aos guardiões da entrada, sou filho da Terra e do Céu / Daí-me de beber que tenho uma sede sem fim / Olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha /
Me tira essa vergonha, / Me liberta dessa culpa, / Me arranca esse ódio /Me livra desse medo /
Olhe nos meus olhos, sou o homem-tocha / e esta é uma canção de amor / e esta é uma canção de amor / e esta é uma canção de amor.
texto e ilustração feitos por mim, Marcos Siqueira.
NOTRE
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Por que choramos quando um prédio se vai? Talvez porque ali havia
história, arte, cultura. Coisas que fazem parte de nós mesmo que não
admitamos. Que mexe...
1 comment:
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Beijão, velho.
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