Friday, July 22, 2011

Quando a ficha cair

Nada contra você, cê tem que perceber
a correnteza vai nadar contra você
daí você não sai se não se decidir
até quando vai? quando a ficha cair

Quando você se vir ainda vai cair?
em reprovação pedindo atenção?

não mais, agora não. aprende a lição
quando? quando a ficha cair

e a ficha vai cair
a ficha vai cair
joga pra cima e atirar
quando a ficha cair
pode mirar, pode contar
que a ficha vai cair

Bêbado na calçada, medo de pegar a estrada
estende a mão e olha pro nada até quando?quando a ficha cair
Na página virada a lágrima cai e seca
chuta o fliperama o jogo começa .. quando a ficha cair

Serás o culpado das dores do mundo
tão atrapalhado tudo tão profundo

Desata o laço por só um segundo
nem puro nem imundo e e a ficha vai cair

e a ficha vai cair
a ficha vai cair
joga pra cima e atirar
quando a ficha cair
pode mirar, pode contar
que a ficha vai cair

não sou John Lennon e não sou nenhum herói
não sou seu bandido, tampouco seu cowboy
só sei que as vezes o meu peito dói
mas tiro o nó na garganta e canto por aí..

aceito a sina que ainda não sei
na providência confio que ela é a lei

quem quer ser mais realista que o rei? (não sei)
quero estar longe quando tudo explodir.. quando a ficha cair

e a ficha vai cair
a ficha vai cair
joga pra cima e atirar
quando a ficha cair
pode mirar, pode contar
que a ficha vai cair

Thursday, May 19, 2011

Deixe em meu nome

Porque cada coisa é o que é pelo nome que
tem
porque as vezes não me chamam por um que seja
meu nome forte,
tem no ar flecha
e arcos perfura
a pele, cicatriza
e deixa traços

Porque todo batizado bate na cabeça da alma
e
fura de água, se acaba, nomina e dura
pra sempre,
corrente o rio
o fio do corpo
à alma de
todo ser vivente

crescente é
eu sei
eu sou
de lua

de toda gente é
o que é
e aprende a ser
na sua

na minha alma nua,
na rua por onde
dou aos meus pés os passos
sigo sozinho
caminho que vou
olhando, me guiando por
eu que sou eu mesmo
Marcos.

Thursday, March 17, 2011

Lançando luz sobre as trevas...



2012
Por SAI BABA
(recebido por e-mail)

Ouviu falar de 2012 como um ano em que algo ocorrerá?

Bom, por um lado existem várias profecias que indicam esta data como um momento importante da história da humanidade, mas a mais significativa é o término do calendário Maya, cuja profecia foi interpretada de várias formas. Os mais negativos pensam que nesse ano o mundo termina, mas isto não é real, pois sabemos que neste ano começa a Era de Aquário.

Na verdade este planeta está sempre mudando a sua vibração, e estas mudanças intensificaram-se desde 1898, levando a um período de 20 anos de alterações dos pólos magnéticos que não ocorriam há milhares de anos. Quando ocorre uma mudança do magnetismo da terra, surge também uma mudança consciencial, assim como uma adaptação física à nova vibração. Estas alterações não acontecem apenas no nosso planeta, mas em todo o universo, como a ciência atual tem comprovado.

Informe-se sobre as mudanças das tempestades solares (que são tempestades magnéticas) e perceberá que os cientistas estão a par destes assuntos. Ou pergunte a um piloto aviador sobre o deslocamento dos pólos magnéticos, já que todos os aeroportos foram obrigados a modificar os seus instrumentos nos últimos anos.

Esta alteração magnética se manifesta como um aumento da luz, um aumento da vibração planetária.

Para entender mais facilmente esta questão, é preciso saber que a vibração planetária é afectada e intensificada pela consciência de todos os seres humanos. Cada pensamento, cada emoção, cada ser que desperta para a consciência de Deus, eleva a vibração do planeta. Isto pode parecer um paradoxo, uma vez que vemos muito ódio e miséria ao nosso redor, mas é assim mesmo.

Venho dizendo em mensagens anteriores que cada um escolhe onde colocar a sua atenção. Só vê a escuridão aqueles que estão focados no drama, na dor, e na injustiça. Aquele que não consegue ver o avanço espiritual da humanidade, não tem colocado a sua atenção nesse aspecto.

Porém se liberar sua mente do negativo, abrirá um espaço onde sua essência divina pode manifestar-se, e isto certamente trará o foco para o que ocorre de fato neste momento com o planeta e a humanidade.

"Estamos elevando a nossa consciência como jamais o fizemos".

Como assim?
Não percebe a escuridão?

Vejo-a sim, mas não me identifico com ela, não a temo. Como posso temer a escuridão se vejo a luz tão claramente? Claro que entendo aqueles que a temem, porque também fiquei parado nesse lugar onde apenas via o mal. E por esta razão sinto amor por tudo isso.

A escuridão não é uma força que obriga a viver com mais ruindade ou com mais ódio. Não é uma força que se opõe à luz. É ausência da luz. Não é possível invadir a luz com a escuridão, porque não é assim que o principio da luz funciona. O medo, o drama, a injustiça, o ódio, a infelicidade, só existem em estados de penumbra, porque não podemos ver o contexto total da nossa vida. A única forma de ver a partir da luz é por meio da fé. Assim que aumentamos a nossa frequência vibracional (estado de consciência), podemos olhar para a escuridão e entender plenamente o que vivemos.

Mas como pode afirmar tudo isso, se no mundo existe cada vez mais maldade?

Não há mais maldade, o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora.

Imagine que você tem um quarto, ou uma despensa, onde guarda suas coisas, iluminado por uma lâmpada de 40W. Se trocar para uma lâmpada de 100W, verá muita desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que tinha naquele local.

A sociedade está mais iluminada. Isto é o que está acontecendo. E isto faz com que muitas pessoas que lêem estas afirmações as considerem loucura.

Percebeu que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.

Esta nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. Isto porque, para poder receber mais luz, as pessoas precisam mudar física e mentalmente. Devem organizar seus quartos de despejo, porque sua consciência cada dia receberá mais luz. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira.

Esta mudança provoca dores físicas nos ossos, que os médicos não conseguem resolver, já que não provem de uma doença que possa ser diagnosticada.

Dirão que é causado pelo estresse. Porém isto não é real. São apenas emoções negativas acumuladas, medos e angústias, todo o pó e sujeira de anos que agora precisa ser limpo.

Algumas noites as pessoas acordarão e não conseguirão dormir por algum tempo. Não se preocupem. Leiam um livro, meditem, assistam TV. Não imaginem que algo errado ocorre. Você apenas está assimilando a nova vibração planetária. No dia seguinte seu sono ficará normal, e não sentirá falta de dormir.

Se não entender este processo, pode ser que as dores se tornem mais intensas e você acabe com um diagnóstico de fibromialgia, um nome que a medicina deu para o tipo de dores que não tem causa visível.

Para isto não existe tratamento específico - apenas antidepressivos, que farão com que você perca a oportunidade de mudar sua vida.

Uma vez mais, cada um de nós precisa escolher que tipo de realidade deseja experimentar, porém sabendo que desta vez os dramas serão sentidos com mais intensidade, assim como o amor.

Quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão, o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos.

Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos.
Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada.

Informe-se, desperte sua vontade de conhecer estas questões.
A ciência sabe que algo está acontecendo, você sabe que algo está acontecendo.
Seja um participante ativo.

Que estes acontecimentos não o deixem assustado, por não saber do que se trata.

Friday, December 24, 2010

Mais uma década que se vai...

Fim de ano e cá estamos todos nós meros humanos ocidentais cristãos capitalistas a imergir em reflexões de todas as naturezas.
No momento, e olha que não é fácil conseguir definir alguma coisa desse momento, o sentimento que vem à palavra é o de expressar a gratidão.
Obrigado a Deus em primeiro lugar. Por tudo.
Depois obrigado aos meus amigos e minha família.
Sem vocês eu não seria nada.
Uma década que se passou. Os anos 2000.
Nesses 10 anos passei dos 20 aos 30, praticamente.
E quanta coisa aconteceu comigo e com o mundo de lá pra cá.
Só Deus sabe.
Sobre o mundo, muita gente ainda vai escrever muito sobre essa primeira década do século, que como toda primeira década de século é anunciadora de transformações. E é inegável. Os tempos estão mesmo mudando. E ninguém, na verdade, gosta de mudanças. Todas tem seus custos. Mas costumam mostrar valer a pena - pagando o custo - a longo prazo.
Não será fácil, mas será através da união que atravessaremos a próxima década.
Que Deus nos dê força e fé!
Para que nossos filhos que virão sejam melhores seres humanos em mundo mais natural, harmônico, melódico e rítmico.
Sobre mim? Essa é uma pergunta que está nesse momento em fase de elaboração. Talvez num momento um pouco mais consciente ou intenso. Não é fácil... ninguém, na verdade, gosta de mudanças. Todas tem seus custos. As escolhas tem seus custos. Pra todo 'sim' há muitos 'nãos' implícitos. E pra um 'não' também podem haver muitos "sim", afinal.
Dizem que é o retorno de Saturno. Talvez. Eu acho mais que é o momento da vida. Que a gente segue sendo um pedacinho dessa pequena engrenagem, como eu pude perceber em Machu Picchu em setembro, um pequeno pedacinho dessa grande engrenagem...
Agradeço por todas as conquistas, vitórias, tropeços e derrotas.
E a gente segue assim como um alecrim do campo. Nascendo, crescendo cada um à sua maneira, do jeito como pode. Se reproduzem, ou pelo menos costumam. E, um dia, morrem. Como as estações e as revoadas. Como toda essa ordem das estrelas e grande engrenagem da natureza.

Que cada um consiga ter fé em Deus, em si, no mundo e nas pessoas!
É o que desejo para a próxima década!

Obrigado. Com amor.
Marcos.

The Test of a Man

by O. Lawrence Hawthorne

There's little satisfaction to be
gained from doing things
That hold no difficulties: it's the tough
old task that brings
Keen sense of worth and power to the
man who wins the fight;
His failures test his courage and his
problems prove his might:
Until a man has conquered loss and
overcome defeat,
He cannot fully understand just why
success is sweet

I'm thankful for my disappointments,
for the battles lost,
And for mistakes that seemed to
charge an overwhelming cost;
I'm thankful for the days of doubt
when it was hard to see
That all things work together for the
good that is to be;
I'm glad for all that Life has brought,
because today I know
That men must brave adversities if
they would greater grow.

Feliz Natal!

Wednesday, November 17, 2010

Decisões




Numa fria tarde de novembro de 1961, quatro rapazes caminhavam à beira do rio Mersey. Ares preocupados, o vento batendo em suas franjas, de vez em quando olhavam para os navios que entravam pelo porto de Liverpool.

Eles lembravam-se, quem sabe, do tempo em que tinham que tocar oito horas para ganhar uns cobres num clube de Hamburgo. Tempos difíceis, é verdade, mas pelo menos não havia a tensão de se ter que tomar decisões, como naquela hora. Então um deles resolveu falar:

"Vamos encarar a realidade, rapazes, isso não vai dar certo." Era Pete Best (o terceiro aí da foto), um rapaz alto, forte e bem apessoado, o baterista do grupo. "Estamos na estrada há anos e até agora só estamos perdendo tempo. Agora, trabalhar para um empresário bicha é o fim da linha."

"Pode dar certo", murmurou George sem muito entusiasmo.

"Eu não acho que devamos desistir", completou Paul. "Acho que ainda podemos ganhar dinheiro com isso."

"Quem poderia substituir você?", completou John, sempre mais frio e pragmático que os outros.

Pete esperava algum tipo de adulação. A pergunta de John deixou-o um pouco incomodado. Ainda assim, não perdeu a pose:

"Pode ser aquele narigudo, o Starkey".

Ninguém respondeu nada. Continuaram caminhando com os rostos enfiados nos capotes. Best, ainda mais incomodado com o silêncio, resolveu abrir o jogo. Disse que sua mãe lhe havia proposto tomar conta de um bar em Penny Lane e ele estava disposto a aceitar. Os outros talvez tivessem ficado com alguma inveja daquela estabilidade financeira tão precoce, mas nada disseram.

O que é bom para nós, pode não ser para você", sentenciou George com ares de filósofo oriental.

Pete animou-se com a resposta e, com pena dos amigos, procurou encorajá-los. Disse que o rock'n roll estava no fim, que ninguém poderia substituir Elvis e que eles deveriam investir na música italiana, estara é que seria a música dos anos 60. No fim, despede-se dos amigos com um abraço.

"Boa sorte, Pete", disse John.

"É isso aí", falou George.

"Obrigado pelos conselhos, mas vamos ficar mais um pouco", finalizou Paul. "Talvez a gente ainda ganhe algum dinheiro com isso."

Pete soltou um longo suspiro. Estava com uma sincera pena de seus amigos. "Vocês é que sabem, rapazes, mas não vão dizer que eu não avisei..."


2


No outro lado da cidade, um narigudo, dono de de um arrojado topete e com a barba por fazer, espera sua namorada sair da manicure lendo sobre a apertada vitória do Blackburn sobre o Warrington pela segunda divisão do campeonato inglês.

"Esperou muito, Ringo querido?"

"Já lhe disse, Maureen, não gosto que você me chame de Ringo. A última coisa que me lembro quando olho no espelho é de um pistoleiro mexicano."

"OK Rick. E quanto àquele negócio, já decidiu?"

"Mamãe acha melhor eu aceitar aquele o emprego de fiscal de vigilância sanitária. Ela disse que eu sou um cara de muita sorte por conseguir passar nesse concurso."

"E a música, Ringo."

"Rick."

"Está bem. E a música, Rick?"

"Não vamos discutir isso de novo. Eu entendo tanto de música quanto você entende de corrida de cavalos."

"Mas você está ficando melhor. Ontem, em Mr. Moonlight você manteve o compasso até o final."

"Você está falando para me agradar."

"Não acho certo que você desista de um sonho."

Richard estava em dúvida. Se havia algo que ele detestava era decepcionar alguém. Sua mãe queria o emprego público, sua namorada queria a carreira artística. No entanto, Richard planejava levar Maureen a um drive-in naquela noite. Se a desapontasse, poderia ter que ficar em casa ouvindo um concerto da BBC ao lado de sua mãe.

"Está bem, vou tentar mais um pouco na música. Ano que vem vão abrir outro concurso mesmo."

"Eu te amo, Ringo."

"Não me chame assim, eu detesto apelidos ridículos."

(autor desconhecido ou o simplesmente velho emelho!)

Tuesday, August 31, 2010

A arte de gostar de mulher

(Recebido num e-mail desses...)

Ainda nos meus tempos de graduação em jornalismo na Uerj, fui assistir a uma palestra do fotógrafo André Arruda, que foi do JB, Globo e trabalhava, entre outras coisas, com moda. Em determinado momento da palestra ele relatava a sua experiência em fotografar nu artístico e soltou a seguinte frase: "Para fotografar nu feminino é preciso gostar de mulher". Eu sorri, porque na minha cabeça aquilo parecia meio óbvio, mas antes que qualquer um fizesse algum comentário ele completou. "Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso" - afirmou.

O fato é que eu concordo com o conceito do Arruda sobre gostar de mulher. Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher são necessários outros requisitos que são raros. Por isso a mulherada anda tão insatisfeita.

Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la a cada dia não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente.

Gostar de mulher é algo além, é penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso que é muito mais espontâneo que o nosso.

Gostar de mulher é querer fazer a mulher feliz. Levar flores no trabalho sem nenhum motivo a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas da chefa rabugenta, que provavelmente é assim porque seu homem não gosta de mulher.

O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida.

O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando, sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade.
"Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro", afirmou Vinicius de Morais no poema "Para viver um grande amor". Para amar verdadeiramente uma mulher o homem deve ser totalmente fiel, amá-la até a raiz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar e principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, minha amiga, não se iluda, não gosta nem um pouco de mulher.

Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostam de mulher é que conquistam várias vezes a mesma mulher. E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância do impenetrável universo feminino. Mas atenção amigos que gostam de mulher: gostar de mulher e penetrar em seu universo não é torná-las cativas e sim libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade.

Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês - por incrível que pareça, para um nacionalista e anti-imperialista convicto. É a Have you really loved a woman? do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre quer dizer "você já amou realmente uma mulher?". Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dá-la apoio, para amar realmente uma mulher.

Essa música é perfeita. Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora gostar de mulher é dificílimo. Precisa ser macho de verdade para isso. Quem se habilita?

Tuesday, August 17, 2010

Olhando pela janela.

"Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."


Cecilia Meirelles

Rifa-se um coração quase novo.

Rifa-se um coração quase novo...
Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que, na realidade, está pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um louco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu: "...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso é que eu espero..."; Um idealista. Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se este coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo...
Rifa-se este desequilibrado emocional, que abre sorrisos tão largos que quase dá prá engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um orgão abestado, indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra-indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se de emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que, quando parar de bater, ouvirá seu usuário dizer para São Pedro, na hora da prestação de contas: "O Senhor pode conferir, eu fiz tudo certo. Só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança, que insiste em não endurecer se recusa a envelhecer."
Rifa-se um coração, ou até mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais. Por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro, de comportamento, até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, certamente, os mais avançados não mais possuem.
Uma verdadeira raridade que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, a ter a petulância de se aventurar como poeta.


Ricardo Labatt