
O tema até que serviria pra poesia. Mas já anda passeando no juízo tem tanto tempo, que é melhor arrumar as coisas de outro jeito. Arrumar, pelo menos na minha cabeça. Pra mim.
Porque a ordem natural (nem tão natural) das coisas não permite arrumação. Ah! Isso não!
E já que o mundo não será como eu quero ver, vou tentar mudar meu jeito de ver pra ele então ser. E não to falando em botar lentes cor-de-rosa ou cabelo em casca de ovo. É como eu já ouvi alguém sabido dizer que a realidade é que nem um copo com água pela metade. O otimista vai dizer que é um copo meio cheio. O pessimista que é meio vazio. E o copo não é nem meio cheio nem meio vazio. O copo é copo. Com água pela metade e pronto!
Mas será que existe mesmo um copo? Ou seria só um fenômeno de física quântica no qual a ocorrência do copo só calhou de acontecer porque tinha um observador qualquer querendo ver um copo. Só um copo. Nem meio cheio, nem meio vazio.
Então, vou brincar de Deus e criar a minha realidade. Quântica... mas minha!
E no primeiro dia eu disse faça-se Caetano Veloso. Como diria o próprio catita: há seis mil anos Deus perde tempo fazendo flores e estrelas... E entre o céu e a terra, não nessa ordem necessariamente, eis que em algum momento surge o homem que tem vivido seis mil anos fazendo guerras e asneiras.
Então Caetano, solitário, juntaria as mãozinhas e com todo aquele jeitinho choramingaria: “ó mô pain ... a bahia é linda, o rio de janeiro continua lindo e paulinha ... vixe, paulinha... xô! Ô pain, mande ai uma mulé!” Ai então, eu tiraria um pedaço dos caracóis dos seus cabelos e criaria o sexo feminino. Por falar nisso outro dia me intriguei com uma questão num desses e-mails-de-quem-fica-mandando-trinta-e-mails-de-piada-por-dia ... Dizia: qual é o lugar onde as mulheres têm o cabelo mais enrolado?” Bem, desenrolando as coisas, dizem que o verdadeiro Éden era na África... Hum! DNA retado esse de catita, ou não!? Mas essa mulher “nas duas faces de eva, a bela e a fera, um certo sorriso de quem nada quer”, teria sofrido alterações a partir das clivagens do zigoto caetânico em função de barbitúricos usados com os Mutantes, Gil e Rogério Duprat nas gravações da Tropicália. Então, nosso catita, quase feliz pra sempre, cantaria às merdópoles modernas: “ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução...”
Será que quando a primeira roqueira mulher abrisse seu sorriso de quem nada quer, ao nosso meloso catita, também abriria a caixa de pandora? E nosso catita (eva e adão, foneticamente) correria para o violão num lamento numa manhã nascendo azul, depois que a caixa de pandora e outras coisas foram abertas na segunda noite da criação. Ele olharia para as estrelas (afinal, EU, o todo poderoso deste meu mundo autista, já perdi seis mil anos nessa história...) e, choramingando profeticamente, balbuciaria seu medo da feia fumaça que sobe apagando as estrelas. Ê rapaz... parece que esse negócio de fumaça foi Rita Lee quem inventou na terceira noite de criação, deixando catita muito doido.
Essa história é muito doida mesmo. Pense ai! A gente tá apagando as estrelas. E é todo dia. Ninguém nunca soube falar esperanto. And we won´t. Mas olhar estrelas... Isso é desde o Egito, antes até, passando inclusive pelos maias, astecas e nazcas. E esquecemos tudo! E se nós somos deuses quânticos, criadores da nossa realidade, meu Deus! Apagamos as estrelas.
As estrelas agoras são as luzinhas dos morros, placas de botequim de néon, postes de sódio e celebridades da mírdia. Que mírdia... Nossos padrões, criados por observadores quânticos da nossa realidade, por trás de people metters e institutos de pesquisa, fizeram de cada um de nós universos apagados de estrelas. Buracos negros. As estrelas estão lá fora. Mas só vê quem tem elas dentro de si, quem tem a utopia de estrela, pode vê-las. Quem olhou fora da caverna, viu que as estrelas lá fora não são o novo modelo de celular nem a linda barriguinha sarada. As estrelas são muito mais que isso. E nós também somos estrelas. Pelo menos EU (ainda sou o todo poderoso aqui!) fiz o homem para brilhar. E ver estrelas. Da Vinci sabia disso.
Mas não esqueci de catita e nem ele esqueceu Rita Lee. O cara tá devagar demais. “Gente é pra brilhar...” Ih! Emendou “... minha paixão há de brilhar na noite, no céu de uma cidade do interior.”
Como um objeto não identificado. É assim que as pessoas que buscam estrelas lá fora tratam uns aos outros nas grandes cidades. Estão todos esquecendo de ver as estrelas de dentro, e ao lado, em casa, na cara da mãe, do pai, do amigo. É muita gente. É muita cidade. Muita poluição. Muita luz elétrica. E menos estrelas.
Apagaram as estrelas na cidade maravilhosa e lá na cidade luz... Que chato!
Agora, falando sério, já que ainda tenho mais uns quatro dias para criar o universo, vou pegar o MP3 player cheio de MPB e vou à praia, porque daqui a seis mil anos o Pão-de-Açucar e outras montanhas vão dissolver e a Baía de Guanabara vai pegar fogo pra eu comer peixe frito. E, afinal, de dia não tem estrelas. Aliás, não faltam estrelas. É que elas ficam apagadas. Mas isso ai já é culpa do astro-rei.
Não. Sai daí! Que Roberto Carlos que porra nenhuma...
escrito por mim, Marcos Siqueira.
1 comment:
Gostei muito do texto. Principalmente quando vc fala "E nós também somos estrelas". Lembrei daquela passagem bíblica Mt 5, 14-16 e me dei conta: 'I´m a SUPERSTAR!' rs
Beijos e saudade
Post a Comment