Thursday, September 07, 2006

areia de ampulheta

essa noite apagaram as estrelas
e a lua desceu atrás das montanhas.
nem o vento soprou, nem o cão uivou.
o amor, em todos corações, vazou.

a areia acre da ampulheta tomou peso
e o vidro do tempo trincou.
o mar se fez de céu e os peixes choraram.
milagre dos peixes. chovendo paz sobre as cabeças.

de manhã o galo repicou e a lua voltou.
mas como apagaram estrelas, se estrelas mais não há?
quanto tempo escorreu ao rachar?

o vazio das cidades encheu o sertão
a secura da noite no desertou bebeu
a lágrima. e subiram os créditos do fim.

texto escrito por mim, Marcos Siqueira.

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