NOTRE
-
Por que choramos quando um prédio se vai? Talvez porque ali havia
história, arte, cultura. Coisas que fazem parte de nós mesmo que não
admitamos. Que mexe...
Monday, December 03, 2007
A ilha.
E aqui estou de novo nesse não-lugar. Arrastado de repente por um cheiro de manhã,
de resto de sonho. A olhar o verde dourado de uma ilha no outro lado da baía.
A mensagem o vento traz assobiando num beijo.
As borboletas pulsam e cintilam o ritmo descompassado que o canto dos passarinhos calmamente orquestra.
E nessa manhã fica o cheiro. De perfume, do sorriso de flor.
Ali, de novo, no não lugar. O tempo que passou, passará e é lugar nenhum.
No verde dourado da ilha mora a promessa de maresia, como que numa garrafa que cruzou oceanos para trazer respostas.
E lá está ela. Da minha janela dá pra ver seu lado dourado. A ilha.
Sunday, November 25, 2007
Cordeiros para leões ou leões para cordeiros?
E então Deus criou a vida. E os primeiros seres - os unicelulares, os procariontes, os eucariontes, as esponjas, os autótrofos e os heterótrofos.
Desses últimos, a diferença é que enquanto um busca o alimento no ambiente o outro consegue criar das condições externas energia para si.
São sistemas de diferentes organizações celulares. Diferentes conceitos de gestão, economia, cooperação e finalidade.
O heterótrofo depende sempre de novas fontes e recursos para dar continuidade ao seu ciclo. É um conceito econômico de déficit. Sempre há necessidade de consumir.
Contudo, há uma hipótese que diz que os primeiros seres vivos eram autotróficos. Os estudiosos da origem da vida descobriram bactérias em ambientes inóspitos, como fontes de água quente e vulcões submarinos; essas bactérias produzem seu próprio alimento a partir de substâncias simples e de energia obtida em reações químicas inorgânicas.
Então esse sistema se auto-sustenta. Não há, essencialmente, a necessidade de consumir substâncias orgânicas. Isso surgiu depois, pelo aumento da complexidade na organização do coletivo de seres unicelulares e maior demanda energética – para se sustentar é preciso que mais indivíduos produzam energia e cooperem.
Assim é a organização desse sistema consumidor. É como um buraco negro, uma anti-matéria que se apropria, devora e incorpora o que é externo para crescer mais.
Esses dias fui ao cinema com minha mãe e assiti "Leões e Cordeiros". Algumas coisas nesse filme chamaram minha atenção e mexeram comigo.
Há 6 anos que o principal lucro da indústria bélica e da mídia americana é a venda de entretenimento via google – earth, maps e etc. É o buraco negro, a cissiparidade amebóide que não pára de crescer, de se alimentar faminta e fartamente. É como um adolescente médio – ou big size - da classe média – ou big size – norte-americana. Obeso e obtuso, comedor de whoppers e big macs, que não sabe quem é o governador na California, usa bonés para trás e acha que o bom questionamento social é o dos rappers e hip hoppers milionários, com correntes, dentes de ouro e pencas de mulheres.
É de se admirar como existe uma falta de questionamento de quem compra a economia desse sistema ao fato de se tornar uma matéria orgânica devorada por essa organização. Rousseu, quando pensou sobre o contrato social, previa que para que pudesse haver uma "liberdade" coletiva, o contratante precisaria abrir mão de algumas liberdades individuais, delegadas ao Estado, como o direito à alienação do seu próprio corpo.
Assim, a bandeira dos primeiros rappers era pelo respeito às diferenças. De que para ser bom não era preciso ser branco, rico ou famoso.
Mas no começo dos anos 80, em New York, no Brooklyn ou Chicago, a barra era tão pesada que o negro precisava andar bem arrumado para não levar uma incerta por aí. Na época quem fazia sucesso eram as estrelas da NBA - Michael Jordan, Shaquille O´Neal - e do futebol americano. Eles sempre andavam muito bem vestidos no seu estilo esportivo. Com moletons, bonés, camisetas, tênis e carrões.
E o hip hop, de repente - e aí ninguém perguntou-se o porquê - incorporou um discurso de posse material como afirmação. Os hip hoppers que antes pretendiam questionar o sistema, passaram a "involuntariamente" colaborar. A organização continuou sendo essencialmente predatória – e até fagocitária – quando superficialmente parecia questionar o modus operandi.
Na organização autotrófica a forma de viver e de produzir energia se faz nas mínimas condições possíveis. Não é preciso consumir mais e mais.
Há uma questão de priorizar as necessidades. A organização inteligente nutre primeiro as partes vitais ao sistema e depois as secundárias. Assim como na guerra dos americanos contra o terror, a massa orgânica que explode nos confins do além para que alguém ganhe mais dinheiro são os negros e os mexicanos. Explodem também suas finanças e necessidades nas minas de divulgação massificada de como consumir e utilizar recursos.
No sábado, vi no shopping algumas "galeras" vistas como massas orgânicas. Alvos fáceis para a propaganda heterotroficamente irresponsável. Gente que muitas vezes não lê nenhum livro sequer fora dos bancos da escola, ou que mal sabe articular um "the book is on the table" em inglês, está ali, de bonezinho, camiseta e tênis. Todos iguaizinhos. Uma turma de uns 20 a 30 até. Como um cardume. Uma grande massa orgânica no oceano pasteurizado.
E os sistema continua se desenhando e organizando. O Estado soberano se apropriou na liberdade e do direito dos seus corpos frágeis, violáveis e perecíveis. Mais massas de gente no oceano pasteurizado na economia, na organização política , militar, civil e religiosa. Seres humanos descartáveis do Afeganistão, da África e do Brasil. Homens bombas, gasolina para máquinas de guerra, massa de manobra política faminta. Pequenos seres unicelulares. Cordeiros para leões ou leões para cordeiros?
Desses últimos, a diferença é que enquanto um busca o alimento no ambiente o outro consegue criar das condições externas energia para si.
São sistemas de diferentes organizações celulares. Diferentes conceitos de gestão, economia, cooperação e finalidade.
O heterótrofo depende sempre de novas fontes e recursos para dar continuidade ao seu ciclo. É um conceito econômico de déficit. Sempre há necessidade de consumir.
Contudo, há uma hipótese que diz que os primeiros seres vivos eram autotróficos. Os estudiosos da origem da vida descobriram bactérias em ambientes inóspitos, como fontes de água quente e vulcões submarinos; essas bactérias produzem seu próprio alimento a partir de substâncias simples e de energia obtida em reações químicas inorgânicas.
Então esse sistema se auto-sustenta. Não há, essencialmente, a necessidade de consumir substâncias orgânicas. Isso surgiu depois, pelo aumento da complexidade na organização do coletivo de seres unicelulares e maior demanda energética – para se sustentar é preciso que mais indivíduos produzam energia e cooperem.
Assim é a organização desse sistema consumidor. É como um buraco negro, uma anti-matéria que se apropria, devora e incorpora o que é externo para crescer mais.
Esses dias fui ao cinema com minha mãe e assiti "Leões e Cordeiros". Algumas coisas nesse filme chamaram minha atenção e mexeram comigo.
Há 6 anos que o principal lucro da indústria bélica e da mídia americana é a venda de entretenimento via google – earth, maps e etc. É o buraco negro, a cissiparidade amebóide que não pára de crescer, de se alimentar faminta e fartamente. É como um adolescente médio – ou big size - da classe média – ou big size – norte-americana. Obeso e obtuso, comedor de whoppers e big macs, que não sabe quem é o governador na California, usa bonés para trás e acha que o bom questionamento social é o dos rappers e hip hoppers milionários, com correntes, dentes de ouro e pencas de mulheres.
É de se admirar como existe uma falta de questionamento de quem compra a economia desse sistema ao fato de se tornar uma matéria orgânica devorada por essa organização. Rousseu, quando pensou sobre o contrato social, previa que para que pudesse haver uma "liberdade" coletiva, o contratante precisaria abrir mão de algumas liberdades individuais, delegadas ao Estado, como o direito à alienação do seu próprio corpo.
Assim, a bandeira dos primeiros rappers era pelo respeito às diferenças. De que para ser bom não era preciso ser branco, rico ou famoso.
Mas no começo dos anos 80, em New York, no Brooklyn ou Chicago, a barra era tão pesada que o negro precisava andar bem arrumado para não levar uma incerta por aí. Na época quem fazia sucesso eram as estrelas da NBA - Michael Jordan, Shaquille O´Neal - e do futebol americano. Eles sempre andavam muito bem vestidos no seu estilo esportivo. Com moletons, bonés, camisetas, tênis e carrões.
E o hip hop, de repente - e aí ninguém perguntou-se o porquê - incorporou um discurso de posse material como afirmação. Os hip hoppers que antes pretendiam questionar o sistema, passaram a "involuntariamente" colaborar. A organização continuou sendo essencialmente predatória – e até fagocitária – quando superficialmente parecia questionar o modus operandi.
Na organização autotrófica a forma de viver e de produzir energia se faz nas mínimas condições possíveis. Não é preciso consumir mais e mais.
Há uma questão de priorizar as necessidades. A organização inteligente nutre primeiro as partes vitais ao sistema e depois as secundárias. Assim como na guerra dos americanos contra o terror, a massa orgânica que explode nos confins do além para que alguém ganhe mais dinheiro são os negros e os mexicanos. Explodem também suas finanças e necessidades nas minas de divulgação massificada de como consumir e utilizar recursos.
No sábado, vi no shopping algumas "galeras" vistas como massas orgânicas. Alvos fáceis para a propaganda heterotroficamente irresponsável. Gente que muitas vezes não lê nenhum livro sequer fora dos bancos da escola, ou que mal sabe articular um "the book is on the table" em inglês, está ali, de bonezinho, camiseta e tênis. Todos iguaizinhos. Uma turma de uns 20 a 30 até. Como um cardume. Uma grande massa orgânica no oceano pasteurizado.
E os sistema continua se desenhando e organizando. O Estado soberano se apropriou na liberdade e do direito dos seus corpos frágeis, violáveis e perecíveis. Mais massas de gente no oceano pasteurizado na economia, na organização política , militar, civil e religiosa. Seres humanos descartáveis do Afeganistão, da África e do Brasil. Homens bombas, gasolina para máquinas de guerra, massa de manobra política faminta. Pequenos seres unicelulares. Cordeiros para leões ou leões para cordeiros?
Sunday, November 18, 2007
o mundo na ampulheta.
Um bom jeito de deixar a areia escorrer pela ampulheta é tolerá-la.
Observar a superfície sulcar num redemoinho irreversível.
Contemplar o crescimento da pirâmide do outro lado.
A sabedoria egípcia de encaixar grandes blocos de tempo. De canalizar e construir.
Sabedoria que não chegou a nos deixar a fórmula da alquimia nem o elixir da vida.
Mas as múmias ficaram.E as pirâmides. E a esfinge:
- Decifra-me ou de devoro-te.
Assim é o tempo. Ou a percepção dele.
Muita gente já nasceu e morreu sob esse mesmo céu e sobre o mesmo chão.
E o mundo, em suas voltas, também envelhece um pouco.
Será essa também a solução para a boa terceira idade do terceiro planeta, a tolerância?
A tolerância consigo, com cada ruga. O respeito por cada marca, pelos fios de cabelo branco que começam a surgir.
Por ontem, a manhã ensolarada, a boa lembrança. Não a prisão.
Ao meio dia o calor é maior. E de tarde os grilos sinfonizam o pôr do sol.
Todo o tempo que escorre é consciente.
Como cada pequeno grão de areia, os segundos. E também as pessoas que passam por nossa vida.
Não podemos subtrair os segundos. E nem as pessoas.
Há que se tolerar. E, dentro do possível, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.”
Qual a consciência de tempo do grão de areia senão a do próprio fluxo?
Qual é a nossa medida de vida senão as pessoas?
Com saber do começo, do meio e do fim estando sós?
Quando cair o último grão, há de haver outros do outro lado a esperá-lo.
Um grão que sabe do outro. E o permite ser. Tolera.
Dois pensamentos agora me ocorrem para o bom correr dos grãos. O primeiro é que se todo o correr e decorrer dos grãos fosse bom e fácil, nem haveria o que se questionar. Lembro de uns versos de Mário Quintana que vi de passagem numa exposição em Petrópolis e me chamaram muita atenção. Guardei no tempo a “Observação”:
Não te irrites, por mais que te fizerem...Estuda, a frio, o coração alheio.Farás, assim, do mal que eles te querem,Teu mais amável e sutil recreio…
O segundo é de uma canção que Michael Jackson fez há uns 15 anos, quando eu era quinta série, “Heal the world”. Acho que tem um pouco a ver.
http://br.youtube.com/watch?v=Jpz5eD9L4dA
Observar a superfície sulcar num redemoinho irreversível.
Contemplar o crescimento da pirâmide do outro lado.
A sabedoria egípcia de encaixar grandes blocos de tempo. De canalizar e construir.
Sabedoria que não chegou a nos deixar a fórmula da alquimia nem o elixir da vida.
Mas as múmias ficaram.E as pirâmides. E a esfinge:
- Decifra-me ou de devoro-te.
Assim é o tempo. Ou a percepção dele.
Muita gente já nasceu e morreu sob esse mesmo céu e sobre o mesmo chão.
E o mundo, em suas voltas, também envelhece um pouco.
Será essa também a solução para a boa terceira idade do terceiro planeta, a tolerância?
A tolerância consigo, com cada ruga. O respeito por cada marca, pelos fios de cabelo branco que começam a surgir.
Por ontem, a manhã ensolarada, a boa lembrança. Não a prisão.
Ao meio dia o calor é maior. E de tarde os grilos sinfonizam o pôr do sol.
Todo o tempo que escorre é consciente.
Como cada pequeno grão de areia, os segundos. E também as pessoas que passam por nossa vida.
Não podemos subtrair os segundos. E nem as pessoas.
Há que se tolerar. E, dentro do possível, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.”
Qual a consciência de tempo do grão de areia senão a do próprio fluxo?
Qual é a nossa medida de vida senão as pessoas?
Com saber do começo, do meio e do fim estando sós?
Quando cair o último grão, há de haver outros do outro lado a esperá-lo.
Um grão que sabe do outro. E o permite ser. Tolera.
Dois pensamentos agora me ocorrem para o bom correr dos grãos. O primeiro é que se todo o correr e decorrer dos grãos fosse bom e fácil, nem haveria o que se questionar. Lembro de uns versos de Mário Quintana que vi de passagem numa exposição em Petrópolis e me chamaram muita atenção. Guardei no tempo a “Observação”:
Não te irrites, por mais que te fizerem...Estuda, a frio, o coração alheio.Farás, assim, do mal que eles te querem,Teu mais amável e sutil recreio…
O segundo é de uma canção que Michael Jackson fez há uns 15 anos, quando eu era quinta série, “Heal the world”. Acho que tem um pouco a ver.
http://br.youtube.com/watch?v=Jpz5eD9L4dA
Sunday, November 11, 2007
ultrapassando.
É incrível como a gente perde tempo pensando em não perdê-lo.
Como na economia dos segundos perde-se a paisagem.
Em cada instante da corrida o piloto está ali. E não há de ser automático.
Não competirá com ninguém, senão ele mesmo.
A cada ultrapassagem fica pra trás o seu próprio reflexo.
E ao final da prova, num só corpo, o perdedor e o vencedor.
--------------------------------------------------------------
Um tanto quanto sintomático escrever algo assim hoje.
Passaram-se dois anos para que eu pudesse, de verdade, voltar a correr.
A última prova foi em outubro de 2005, uma meia maratona revezada, que fiz com Hugo.
Para amadores nosso tempo foi excepcional: 1h25. Ficamos com o sétimo lugar de duplas.
Aí depois veio a hérnia. E a cirurgia.E o tempo.
O tempo que ficou para trás, como os outros competidores. Como os outros “eus”.
E aqui estou.
Talvez não exatamente no lugar e no tempo que eu pensei – só pensei - em estar agora.
Mas onde consegui. Com fôlego, suor e raça.
Nos treinos, por agora, estava fazendo os 7km ( o trajeto da corrida Petrobras ) em até 29 minutos.
Pretendia conseguir fazer em 28, o que seria excepcional – 4 minutos por quilômetro.
Na corrida, estava indo bem até a altura quinto quilômetro , com uns 20 minutos.
Então, na curva de retorno, a dor de facão pegou.
Reduzi o ritmo e alguns “eus” que deixado para trás, me passaram novamente.
Mas o importante foi manter a respiração e chegar.
Chegar fazendo o melhor de mim.
Mesmo não sendo o que pensei, foi bom. Entre os 60 primeiros.
Às vezes o ontem ultrapassa o hoje. Que por sua vez espreita o amanhã.
O resultado foi bom.Amanhã? Quem sabe?
Como na economia dos segundos perde-se a paisagem.
Em cada instante da corrida o piloto está ali. E não há de ser automático.
Não competirá com ninguém, senão ele mesmo.
A cada ultrapassagem fica pra trás o seu próprio reflexo.
E ao final da prova, num só corpo, o perdedor e o vencedor.
--------------------------------------------------------------
Um tanto quanto sintomático escrever algo assim hoje.
Passaram-se dois anos para que eu pudesse, de verdade, voltar a correr.
A última prova foi em outubro de 2005, uma meia maratona revezada, que fiz com Hugo.
Para amadores nosso tempo foi excepcional: 1h25. Ficamos com o sétimo lugar de duplas.
Aí depois veio a hérnia. E a cirurgia.E o tempo.
O tempo que ficou para trás, como os outros competidores. Como os outros “eus”.
E aqui estou.
Talvez não exatamente no lugar e no tempo que eu pensei – só pensei - em estar agora.
Mas onde consegui. Com fôlego, suor e raça.
Nos treinos, por agora, estava fazendo os 7km ( o trajeto da corrida Petrobras ) em até 29 minutos.
Pretendia conseguir fazer em 28, o que seria excepcional – 4 minutos por quilômetro.
Na corrida, estava indo bem até a altura quinto quilômetro , com uns 20 minutos.
Então, na curva de retorno, a dor de facão pegou.
Reduzi o ritmo e alguns “eus” que deixado para trás, me passaram novamente.
Mas o importante foi manter a respiração e chegar.
Chegar fazendo o melhor de mim.
Mesmo não sendo o que pensei, foi bom. Entre os 60 primeiros.
Às vezes o ontem ultrapassa o hoje. Que por sua vez espreita o amanhã.
O resultado foi bom.Amanhã? Quem sabe?
Wednesday, February 21, 2007
o ovo ou a galinha?
Novo de novo da casca do ovo.Ovo do novo de antes ou depois.
Galinha ou ovo? Pôr depois ou antes?
Depois do pôr vem a noite escura.
E depois do pôr, de novo, do ovo do canto do galo, de novo um novo.
E mais tarde a cor do pôr. Cor da cor da gema do ovo.
E do claro da clara só depois. Amanhã ou antes?
E se antes do ovo não houvesse galinha? Se não houvesse galinha, não tinha galo.
E quem chamaria o dia, de novo?
O ovo?
Ou a galinha?
texto: Marcos Siqueira.
acordar ou dormir ao seu lado?
texto: Marcos Siqueira.
Hoje o sol nasceu e senti falta de acordar ao seu lado. Falta de você para não acordar.
Para levitar e não levantar. Só contemplar. Sonhar.
Ouvir cigarras e passarinhos chamando para o dia com seus raios de sol.
Dourando em desenhos de um calor aconchegante mais um dia que é.
Hoje. Eu, você e o céu azul. Como se a chuva passasse e descêssemos então da arca de Noé.
Hoje. Acordar ao seu lado. Acariciar seus cabelos. Beijar-te e, seguindo caminhos agridoces do seu cheiro, fazer nosso amor mais sagrado.
Olhar seus olhos, pela janela da alma, e adivinhar a alegria das crianças nos dias lá fora.
Então, aqui de dentro fulôra uma lágrima, como uma gota de orvalho, dessa manhã.
Como toda água sagrada que batiza suave a gravidade na altura do que sente o coração.
Me dê a mão nessa manhã de hoje e também nos outonos e primaveras.
Para depois, no balanço das ondas e das horas, dormir e acordar ao seu lado.
Tuesday, January 30, 2007
Subscribe to:
Posts (Atom)


