Monday, November 30, 2009

Abro pra você a porta de casa. Convidaria-te a entrar na minha vida. Se eu soubesse nela onde fica a porta, a janela, o pé direito e o prumo.
Um capitão pirata, aventureiro sem rumo. Um barco a deriva, um porta-aviões esperando alguém pousar. Um mata borrão sem moscas, muriçocas ou prazo de validade.
Te contaria a história do meu pé esquerdo e de todas as sortes de venturas e ventos que já passaram pela minha cara. De moto, de avião ou caindo de algum lugar de dentro de mim. A montanha e a roleta na Rússia seriam o nosso destino predileto.
Nas estepes daqui a coisa fica preta, mas a gente não passa frio. Somos corações de portas de casas abertas, da gente da nossa terra, da lama e do caos do Brasil.

Wednesday, November 18, 2009

Cuidado comigo

Cuidado comigo
Não sou flor que se cheire
Sou desses botões frágeis e invisíveis
Pequeninos e raros, instáveis no campo depois
Da chuva em poucos instantes abro o peito ao sol
Duro o dourado sorriso de veludo da abelha, murcho e me ponho
contigo na memória das cores, formas e perfume.
Das pequenas flores
e dos amores.

Amor de retrovisor



Na minha cara há lentes oblíquas, por vezes obtusas,
Daqui vendo distorcidos os botões da sua blusa
Abrindo-se aos seios do infinito circular
Mas não voltam atrás os beijos que um dia te dei
Bonitas são agora as nossas sombras passeando
Na rua de mãos dadas sobre os cacos de vidro.