Wednesday, October 18, 2006

um conto para acordar ou dormir.

De repente ela acordou. Não sabia onde estava, que horas eram e sentia-se assustada, como se algo muito grave tivesse acontecido. Levantou-se, abriu a cortina e o sol do meio dia feriu seus olhos com a realidade do que acontecia. Agora ela começava a lembrar aos poucos. Olhava no rosto daquele homem que dormia sereno naquela cama de hotel. Cada marca do seu rosto contava um pedaço de toda a história. Um sorriso de quem está sonhando com a mais profunda paz fez que ela se arrepiasse e sentisse medo daquela confirmação. Foi à bolsa e tirou um cigarro do maço amarrotado. Sentou no outro lado da cabeceira e fumava perguntando-se se era mesmo ele. Ele, de repente assim, daquele jeito tão misterioso tinha aparecido. Como se o véu do sonho tivesse sido levantado e agora ela soubesse. Tinha medo de ter certezas como aquela. Como poderia afinal saber se era mesmo ELE o homem de sua vida.
Nunca tinha acreditado em almas-gêmeas. E todas as pessoas com um pouco mais de maturidade àquela altura, até mesmo ele, já sabiam que isso era coisa de conto de fadas.
Lembrou de uma conversa qualquer, no restaurante com o pessoal do escritório em que alguém disse que isso não existe mais por que a vida moderna acostumou todo mundo muito mal. Tudo agora ficou fácil, rápido e descartável. Inclusive os relacionamentos humanos e os sentimentos. Fazia sentido agora... Continuava pensando em como continuava sem acreditar em almas-gêmeas e por isso tinha medo de olhar para aquele homem que dormia feliz de barriga para cima. Deus meu, pensava, mas será possível?
Pensou em como ele sempre fora uma pessoa singular. Atencioso, bem-humorado, romântico, bom e muito bom de cama. Bonito. Chamava atenção.
Mas ela não tinha ciúmes, ou pelo menos fingia bem até para ela mesma. Volta e meia perdia a paciência com ele. Ele sempre tão espontâneo e livre às vezes parecia ingênuo aos olhos dela. Agora, ali, sentada, de calcinha, com a velha blusa de rock´n roll dele, tragava o segundo cigarro e com os olhos bem abertos pensava em quanto tempo tinha perdido e quanto tempo ainda lhes restava. Agora ela sabia.
Ele estava ali deitado. A qualquer momento acordaria, olharia para ela e eles provavelmente se beijariam, como muitas vezes fizeram antes. Anos atrás essa história havia começado. E então, muito tempo depois, eles tinham se encontrado assim, de repente. Agora ela percebia quem ele era de verdade. Será que depois daquela noite, será que depois daquele tempo, daquelas mudanças, daquela vida vivida, ele ainda seria o mesmo? Não sabia o que seria deles dali pra frente.
Mas sabia que aquele era o homem que ela finalmente queria. Que era tão especial e singular como toda a pessoa nesse mundo é. Que tem seus defeitos como todos e qualquer pessoa tem. Mas foi ele que seu amor escolheu para amar. Ela o escolheu.
Ele era a sua alma-gêmea. E a cada novo dia, só por hoje e todo dia, ela o escolhe mais uma vez.

texto escrito por mim, Marcos Siqueira.

Tuesday, October 17, 2006

minha pena.

E então lá estava eu. Sentenciado. Eu que naquela tarde azul-dourada de recomeço tinha voltado para casa meio macambúzio. Me perguntava o que é que faltava acontecer agora. Depois de tantas mudanças em tão pouco tempo, depois de já ter passado por tudo o que eu já tinha passado, me perguntava: e agora? Sentia como se tivesse me perdido na trilha do mato no meio de uma planície descampada. Numa bússola com meu norte, minha sorte e minha morte. Afinal, desde que eu era menino eu já sabia que cada dia a mais também é um dia a menos. E vivi até ali. Aos trancos e barrancos, tomando todas as porradas que tomei, sendo quem eu sempre fui. Aprendendo a viver melhor, a sorrir, a não perder a paciência facilmente e a não me levar
tão a sério.
Então, estava eu voltando pra casa no fim de tarde, com o céu claro ainda. Pensava: esse é o primeiro dia do resto da minha vida. Então, fui descendo a rua, devagar e fui sentindo o coração apertar cada vez mais. Então cheguei em casa e vi o sol descer atrás dos morros. As idéias sopravam com a chuva e ventania dentro da minha cabeça.
E então eu ouvi a sentença. Recebi minha pena.
Minha pena. Não pena de dó. Nem de quem vai para o cárcere.
Eu soube que seria escritor.
Isso era não menos que uma prisão e não mais que a liberdade. Refém dos meus pensamentos, do vento, dos anjos e demônios. Livre de toda a censura e hipocrisia. Livre de todas as formas claras e obscuras de poder.
Pronto para mais um dia da vida eterna.

texto escrito por mim, Marcos Siqueira.

Friday, October 13, 2006

lá de cima. lá da beira da piscina.

Até que tenho escrito algumas coisas esses dias. Mas fica tudo lá em cima. Lá em casa.
Ainda não tenho nem internet, nem telefone e nem TV a cabo... Aqui no Rio tem um pacote da NET chamado "combo", que disseram que vem com as três coisas por cem reais mensais. É uma... Vou ver isso essa semana. Agora, neste momento, estou aqui numa Lan House do centro da cidade, perto da estação de metrô e do largo da Carioca, onde fica o prédio do Citibank (lá é que eu estava tendo as aulas da Universidade Petrobras) e também o edifício sede da Petrobras - o EDISE. Já estava com uns créditos por aqui e, por acaso, peguei uma ponga no bonde, e aqui estou eu. Lembrei de escrever alguma coisa aqui pro blog.
Nesse feriado, e nos últimos três fins de semana, o céu continua nublado (durante a semana é um solzão punk... sacanagem... ). Ontem até que deu pra pegar uma praia meia boca lá no posto 9 com Pereira e uma galera da turma dos novos de engenharia.
No mais tenho curtido muito minha casa nova. Tá ficando tudo arrumado, bonito. Tá massa!
As cores dos pratos, copos, talheres e louça. Tudo combinando. Cores. Verde e laranja.
Azul e amarelo. Já comprei de jogo de panela a tapete e pano de mesa. Só falta agora um sofá. Só.
Até que não me sai mal cozinhando. O canal é fazer massas! Fácil! É só comprar molhos e temperos. Aí depois é só assar um desses peitos de frango da Sadia e abrir um vinho. Savoir!
Então, acordo eu hoje ao meio dia e ligo o boyler pra tomar meu banho de jacuzzi. Pela janela do banheiro deu pra ver que a mangueira hoje não estava tão dourada como nos dias de sol. Então curti meu banho, comi alguma coisa e fui fazer minha faxina. Depois toquei um pouco de violão, li uma revistinha do Asterix e fui dar minha corrida nas ladeiras de Santa Teresa.
Tô ficando empolgado mesmo com essa idéia de fazer corrida de aventura. Não parece assim tão difícil quando você desce morro abaixo, pulando de pedra em pedra, descendo em paralepípedos e trilhos de bondes, desviando de árvores e rochedos, por uns 5 quilômetros. Desci até o Catete hoje.Depois subi tudo de novo.
Aí então, por acaso, o bondinho estava ali no largo do Guimarães, ponguei e desci aqui até a Carioca. Essa ponga as vezes dá medo. Principalmente quando o bondinho passa por cima dos arcos da lapa (é quase uma ponte, um aqueduto romano, com uns 100 metros de altura) e meus pés, no estribo do bondinho, passam raspando pela cumieira de cimento dos arcos. Coisa de 3 a 5 centímetros. Rock´n Roll!!! Uhu!
Então é isso! Aproveito para dizer que estou com saudades de todos e que minha casa já está a disposição. São dois quartos. E estou à procura de um companheiro pra dividir o espaço comigo. Talvez um fox paulistinha, um beagle ou um basset, ou mesmo um vira lata esperto... Algum que se pareça comigo! Hehehehe! Quem sabe minha próxima visita já conheça meu novo amigo!?
Bom vou aproveitar minha vinda aqui no centro e comprar um outro jogo de roupa de cama e toalhas. Só comprei uma roupa de cama e uma toalha. E tem que lavar, né!?

texto escrito por mim, Marcos Siqueira.

Wednesday, October 04, 2006

o rodo cotidiano

Esses dias tenho andado com mil textos na cabeça e mais outras 2 mil coisas não textuais e um pouco mais prosaicas passeando também por ali.
Enfim, está tudo se arrumando e se ajeitando.
O velho e bom professor Pereira chegou na segunda-feira de noite! Fui buscá-lo no Galeão (ou aeroporto maestro Tom Jobim) com o carro de Rick emprestado. Levei ele pra uma volta pela zona sul também. Acho que ele ficou meio azuado com o excesso de informação, mas já se acostumando. Nos próximos dias ele vai saber onde vai ficar alocado.
Eu também já estou me assentando. Aluguei um bonito apartamento no bairro de Santa Teresa, o último bairro do Rio de Janeiro que ainda tem bondinho. O lugar é muito bonito, arborizado, com casas mais antigas, com eira, beira e rococós. Lá moram muitos artistas e estrangeiros. E, de duas janelas, todo dia de manhã o Cristo vai poder me dar bom-dia. Tô contente! E também no corre-corre para ajeitar essas coisas todas de documentos e etecetera...
Então, quando eu chegar ai em Salvador, quem quiser me dar umas coisas pra a casa nova, tá valendo!
Em breve vou escrever umas coisas aqui. As idéias não param. Mas eu preciso de um tempo pra parar... Pedi pra parar!