Friday, March 20, 2009

All we need is love!

Navegando nessa maré de redes sociais, encontrei uma novidade que parece interessante.
É o http://www.yubliss.com/
A proposta parece ser a de um divã coletivo, onde as pessoas podem usar condinomes e compartilhar suas histórias - reais ou não - relacionando-as a mitos gregos, troianos, velhos ou “mudernos”.
Não sei se a proposta cola, nem quais são os fins comerciais. Mas, como curioso antropológico, dei uma checada.
Achei nos mitos do site uma definição interessante - apropriada para esses dias em que cada vez mais a união entre as pessoas é convocada - do mito romântico pelo filósofo Sam Keen.
Fiquei pensando a respeito do número cada vez maior dessas comunidades (facebooks, orkuts, twitters…) que conclamam as pessoas a uma certa união, quase organicamente necessária nesses tempos de incertezas.
Como se fossemos peixinhos, unidos num cardume que fica mais forte e ágil na fuga contra uma baleia… ou abelhas em redes sociais…
Ou como sociedade agindo contra e a favor de todas essas marcas e organizações.

Enfim…
Como diria John: “all you need is love… love is all you need”.

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O mito do amor romântico - por Sam Keen


Descrição
No mito romântico, o amor é a força misteriosa que surge do nada e nos traz felicidade. A incrível porcentagem de 95% de todas as referências ao amor feitas pela mídia moderna baseia-se na promessa de relacionamentos românticos e nos problemas deles derivados. Na visão de Hollywood, os apaixonados são jovens, lindos e predestinados uns aos outros, apesar de precisarem passar por muitas adversidades antes de conseguirem a feliz realização de seu amor.

Origem
A obsessão moderna pelo amor romântico pode nos levar a crer que as coisas essenciais da vida sempre foram um beijo, um suspiro e um toque da “velha magia chamada amor”. Mas o mundo nem sempre reverenciou dois amantes dessa maneira cinematográfica. O amor romântico tem sido a exceção, e não a regra. Na maioria das sociedades pré-modernas, os casamentos foram “arranjados” por motivos práticos e políticos. Foram os cavaleiros e trovadores da Idade Média que inventaram o código medieval de conduta para namorados e idealizaram o romance, mas exclusivamente para a elite. O romance para as grandes massas surgiu com o nascimento do capitalismo e do individualismo, alcançando um nível febril entre consumidores modernos de novelas e revistas que versam sobre o amor falso e verdadeiro, cheias de receitas rápidas para a intimidade e conselhos para os perdidamente apaixonados. A necessidade de novidades relacionadas ao reino de Afrodite é constante e insaciável. Pesquisas de opinião, questionários e indagações intermináveis sobre nossos hábitos eróticos estimulam a crença questionável que temos de estar aprendendo novas técnicas e progredindo no jogo do amor.

Impacto
Nossa fixação míope por romance e sexo encoraja uma teoria de “atração fatal”, que nos transforma em vítimas que “se apaixonam” e “se desapaixonam” em razão de química ou que não conseguem se apaixonar em virtude de má sorte, abuso sofrido na infância ou famílias desestruturadas. Isso estimula a crença vã de que um relâmpago erótico vai nos atingir diretamente vindo dos céus e, espontaneamente, enriquecer e dar sentido às nossas vidas.
Apesar do profundamente enraizado desejo ardente por romance, quase toda a nossa energia é devotada no sentido de conseguir sucesso, prestígio, dinheiro e poder, e quase nenhuma no de aprender a arte de amar. Quando limitamos nossa busca por amor a uma ligação de somente duas pessoas negligenciamos o âmbito maior no qual precisamos praticar o amor – a família, a vizinhança, o meio-ambiente, a natureza, a comunidade de seres não-humanos sensíveis que incluem pássaros e feras.
O erro das teorias modernas sobre o amor é se dedicar exclusivamente a dois seres individuais solitários que se unem para formar uma ilha em um mar hostil povoado de outros seres anônimos e de vizinhos desconhecidos. A maioria das teorias pré-modernas considera o amor como um elixir que gradualmente dissolve as fronteiras que erigimos entre nosso próprio ser e os outros, progressivamente impulsionando o ego para além do individualismo e do santuário da intimidade, na direção de uma comunidade cada vez mais inclusiva.
A conseqüência mais séria gerada por nossas preocupações com o jogo de achar nossos pares é nos mantermos sempre voltados especificamente para a pergunta errada. Se eu perguntar “como posso encontrar meu amor verdadeiro” antes de perguntar “como posso me tornar uma pessoa carinhosa?” não vou conseguir adquirir as qualificações necessárias para me tornar um ser humano carinhoso – capacidade de ouvir, de ter empatia, de sentir compaixão, de cuidar do próximo, de ter comprometimento, etc. O amor é uma arte que precisa ser desenvolvida e praticada por toda a vida.

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Fiquei achando que faltava uma definição mais precisa sobre a inteligência “amorosa” da união coletiva. Já li em algum lugar que existem teorias de físicos para explicar melhor o funcionamento desse sistema que é chamado de multiagente:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_multiagente

Penso que a relação entre os sistemas multiagentes e o mito do amor romântico é de oposição bem inversa mesmo, como diz o texto do Sam Keen. Na verdade, temos participado na web de uma mudança de paradigma e de convivência. Se já não abrimos as portas das nossas casas como antigamente, estamos abrindo mais as nossas janelas…virtuais!

Então, como os enxames, cardumes e pixels randômicos pré-programados pelo media player, todos nós - enquanto seres humanos interconectados em redes sociais - reagimos a estímulos, ameaças, sons e etc.Reagimos também como consumidores, dando crédito ou descrédito a uma marca…Enfim, interligados, somos multiagentes. Espécie de formação ergonômica que, unida, defende-se melhor. Os generais romanos e suas formações de escudos já dominavam bem essa ciência…Essa idéia é bem diversa do mito do amor romântico um-a-um e nada mais.Passa mais perto de uma compreensão mais universal, de junção quase funcional e, talvez, amorosa da sociedade.Existem teorias funcionalistas e darwinistas de sóciologos como Herbert Spencer e Piotr Kropotkin, que no começo do século já enxergavam que a sobrevivência social depende de uma espécie de mutualismo num organismo coletivo.


Então é por aí…
Posso ter feito uma viagem longa, e penso que esse seja provavelmente o caminho…Uma sociedade digital amorosa e multiagente… hehehhe

E a propósito desse assunto:







2 comments:

Anonymous said...

Cara, achei o máximo sua sacada: se já não abrimos portas de nossas casas como antigamente, abrimos mais nossas janelas virtuais!
Sim, abelhas unidas na produção de um néctar dos deuses, o néctar da consciencia!

Anonymous said...

Marcos, achei demais o post que você fez sobre YuBliss, (sou o Chico Abelha do site). E feliz de você ter notado nosso diferencial. Li seu comentário sobre a obrigatoriedade do hino nacional, massa! Tô contigo meu rei!
Agora, já que tu és um bloggeiro, por que não botar em YuBliss um textozinho de sua autoria? Valeu pelo link, obrigado e um abraço!