Sunday, November 18, 2007

o mundo na ampulheta.

Um bom jeito de deixar a areia escorrer pela ampulheta é tolerá-la.
Observar a superfície sulcar num redemoinho irreversível.
Contemplar o crescimento da pirâmide do outro lado.
A sabedoria egípcia de encaixar grandes blocos de tempo. De canalizar e construir.
Sabedoria que não chegou a nos deixar a fórmula da alquimia nem o elixir da vida.
Mas as múmias ficaram.E as pirâmides. E a esfinge:
- Decifra-me ou de devoro-te.
Assim é o tempo. Ou a percepção dele.

Muita gente já nasceu e morreu sob esse mesmo céu e sobre o mesmo chão.
E o mundo, em suas voltas, também envelhece um pouco.
Será essa também a solução para a boa terceira idade do terceiro planeta, a tolerância?
A tolerância consigo, com cada ruga. O respeito por cada marca, pelos fios de cabelo branco que começam a surgir.
Por ontem, a manhã ensolarada, a boa lembrança. Não a prisão.
Ao meio dia o calor é maior. E de tarde os grilos sinfonizam o pôr do sol.

Todo o tempo que escorre é consciente.
Como cada pequeno grão de areia, os segundos. E também as pessoas que passam por nossa vida.
Não podemos subtrair os segundos. E nem as pessoas.
Há que se tolerar. E, dentro do possível, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.”

Qual a consciência de tempo do grão de areia senão a do próprio fluxo?
Qual é a nossa medida de vida senão as pessoas?
Com saber do começo, do meio e do fim estando sós?
Quando cair o último grão, há de haver outros do outro lado a esperá-lo.
Um grão que sabe do outro. E o permite ser. Tolera.

Dois pensamentos agora me ocorrem para o bom correr dos grãos. O primeiro é que se todo o correr e decorrer dos grãos fosse bom e fácil, nem haveria o que se questionar. Lembro de uns versos de Mário Quintana que vi de passagem numa exposição em Petrópolis e me chamaram muita atenção. Guardei no tempo a “Observação”:
Não te irrites, por mais que te fizerem...Estuda, a frio, o coração alheio.Farás, assim, do mal que eles te querem,Teu mais amável e sutil recreio…

O segundo é de uma canção que Michael Jackson fez há uns 15 anos, quando eu era quinta série, “Heal the world”. Acho que tem um pouco a ver.


http://br.youtube.com/watch?v=Jpz5eD9L4dA

1 comment:

Anonymous said...

markito, pelo visto sua cabeça não anda tolerando essa prensada.