
Nessa semana escrevi um pouco mais. Acho que fiz uns 5 textos. A maioria vou deixar no estoque pra quando faltar tempo. Agora tenho mais uma coisa aqui pra dedicar um tempo e estudar. Realizei uma vontade antiga.
Comprei um baixo! Preto. Bonitão! Tô praticando.
Bem, mas esses dois escritos aí de baixo tem um tema bem parecido.
Ou talvez na verdade, seja um TEXTO só. A diferença foi a trilha da vida no universo paralelo por qual cada um tomou rumo.
Aqui, diferente da vida, a gente pode escolher o final da história.
Quase sempre.
Paisagem da Alma
Marcos Siqueira
E essa é mais uma maneira qualquer de ficar longe de você. Pelo menos em pensamento.
Ia ser bom. E a qualquer momento poder te olhar sem te querer. Que seja!
Tirar da cabeça qualquer pensamento romântico-psicodélico. Qualquer neurose ou compulsão por sua voz. Qualquer boba idéia de nós. Qualquer tesão incontido.
No vermelho do seu sorriso. De vergonha. De falta de vergonha.
No vermelho do seu sexo. No calor das palavras e das línguas, me calando ao açoite da noite.
Qualquer hora que eu te tenha só minha. Sozinha. Deixo dentro de você a marca quente de minha alma. Minha paisagem. De verão e inverno, outono e primavera. Que não pode ser dita a ninguém. Não em palavras.
E quanto mais fundo se entra na paisagem da alma, mais calados ficamos.
Estamos sós no universo. As borboletas voando pela highway. Ou pela estrada de tijolos amarelos. Os deuses dão as cartas e o resto é com você. Adeus. Há Deus.
Vou vivo pro céu. Vou viver outra prisão pra não lembrar você.
Sobreviventes
Marcos Siqueira
Como se já fosse minha velha amiga, ela insistia em aparecer.
Costumava aparecer quando eu andava sozinho pela noite. Quando a dor me apertava fundo no peito. Quando em minha voz não caberia a amplidão do meu grito.
Ela vinha assim, sem avisar. Chegava à noite ao som de alguma melodia da minha cabeça. Vinha e tomava comigo algumas doses. Me abraçava e inebriava meus sentidos. O ar ficava mais pesado. Os sons mais altos, os sentimentos mais agudos.
E lá estava ela. Insistia em aparecer mais uma vez aos meus olhos e coração.
E ela sabia mesmo me atingir. Despedaçando-se daquele jeito em minha frente.
Chorando todas as pétalas das minhas vinte e poucas primaveras. Ali na minha frente. Desmanchando-se em desilusão. Derretendo como a tinta impregnante e radiotiva de um quadro psico-surreal. Tão cheia de cores, dos roxos das dores aos vermelhos das flores. E amores. Vão. Tingindo em aquarelas o profundo coração. Pintado em castelo de corais. Em estrelas do céu do interior. Em verde de canaviais. Em azul de maresia. E a nuvem atrás dos seus olhos.
Vem a chuva. Detrás dos seus olhos. Os pingos bombardeiam e respingam desbaratando a dança das cores. O céu derrete. O sol desbota. E a manhã daquele dia.
O vazio que fica. Na manhã daquele dia. Um mundo inteiro. Com árvores fáceis de achar. Prontas para o coração que eu desenhei com o nome do meu amor. O meu amor. Só meu. A flor.
Que nasce. Cresce. Brota. Fulôra. Resplandece. Gira ao sol. E se deita com a lua. Nua. Sua. Some. Murcha. Vai embora.
Quanto mais pisada em qualquer jardim mal cuidado, mais exótica e bela. Flor de aquarela. Borrada, derretida em água. Que teima em criar novos desenhos, linhas, traços e arabescos. E novas flores insistem em nascer. Em multiplicar-se. Em explodir pelo universo parindo novas flores e estrelas.
E no final, vem o outono e vai a primavera. No jardim voam os passarinhos. Com um canto melancólico qualquer. Não há flores. As folhas secas no chão. E, de outra escuridão qualquer , nascem flores e o sol de um novo dia.
textos escritos por mim, Marcos Siqueira.
ilustração da www.gettyimages.com
Comprei um baixo! Preto. Bonitão! Tô praticando.
Bem, mas esses dois escritos aí de baixo tem um tema bem parecido.
Ou talvez na verdade, seja um TEXTO só. A diferença foi a trilha da vida no universo paralelo por qual cada um tomou rumo.
Aqui, diferente da vida, a gente pode escolher o final da história.
Quase sempre.
Paisagem da Alma
Marcos Siqueira
E essa é mais uma maneira qualquer de ficar longe de você. Pelo menos em pensamento.
Ia ser bom. E a qualquer momento poder te olhar sem te querer. Que seja!
Tirar da cabeça qualquer pensamento romântico-psicodélico. Qualquer neurose ou compulsão por sua voz. Qualquer boba idéia de nós. Qualquer tesão incontido.
No vermelho do seu sorriso. De vergonha. De falta de vergonha.
No vermelho do seu sexo. No calor das palavras e das línguas, me calando ao açoite da noite.
Qualquer hora que eu te tenha só minha. Sozinha. Deixo dentro de você a marca quente de minha alma. Minha paisagem. De verão e inverno, outono e primavera. Que não pode ser dita a ninguém. Não em palavras.
E quanto mais fundo se entra na paisagem da alma, mais calados ficamos.
Estamos sós no universo. As borboletas voando pela highway. Ou pela estrada de tijolos amarelos. Os deuses dão as cartas e o resto é com você. Adeus. Há Deus.
Vou vivo pro céu. Vou viver outra prisão pra não lembrar você.
Sobreviventes
Marcos Siqueira
Como se já fosse minha velha amiga, ela insistia em aparecer.
Costumava aparecer quando eu andava sozinho pela noite. Quando a dor me apertava fundo no peito. Quando em minha voz não caberia a amplidão do meu grito.
Ela vinha assim, sem avisar. Chegava à noite ao som de alguma melodia da minha cabeça. Vinha e tomava comigo algumas doses. Me abraçava e inebriava meus sentidos. O ar ficava mais pesado. Os sons mais altos, os sentimentos mais agudos.
E lá estava ela. Insistia em aparecer mais uma vez aos meus olhos e coração.
E ela sabia mesmo me atingir. Despedaçando-se daquele jeito em minha frente.
Chorando todas as pétalas das minhas vinte e poucas primaveras. Ali na minha frente. Desmanchando-se em desilusão. Derretendo como a tinta impregnante e radiotiva de um quadro psico-surreal. Tão cheia de cores, dos roxos das dores aos vermelhos das flores. E amores. Vão. Tingindo em aquarelas o profundo coração. Pintado em castelo de corais. Em estrelas do céu do interior. Em verde de canaviais. Em azul de maresia. E a nuvem atrás dos seus olhos.
Vem a chuva. Detrás dos seus olhos. Os pingos bombardeiam e respingam desbaratando a dança das cores. O céu derrete. O sol desbota. E a manhã daquele dia.
O vazio que fica. Na manhã daquele dia. Um mundo inteiro. Com árvores fáceis de achar. Prontas para o coração que eu desenhei com o nome do meu amor. O meu amor. Só meu. A flor.
Que nasce. Cresce. Brota. Fulôra. Resplandece. Gira ao sol. E se deita com a lua. Nua. Sua. Some. Murcha. Vai embora.
Quanto mais pisada em qualquer jardim mal cuidado, mais exótica e bela. Flor de aquarela. Borrada, derretida em água. Que teima em criar novos desenhos, linhas, traços e arabescos. E novas flores insistem em nascer. Em multiplicar-se. Em explodir pelo universo parindo novas flores e estrelas.
E no final, vem o outono e vai a primavera. No jardim voam os passarinhos. Com um canto melancólico qualquer. Não há flores. As folhas secas no chão. E, de outra escuridão qualquer , nascem flores e o sol de um novo dia.
textos escritos por mim, Marcos Siqueira.
ilustração da www.gettyimages.com
6 comments:
paisagem da alma é show!!!!
colé batata...
to com algumas fotos da quadrinhos aqui...cade vc que sumiu?
Adorei voce ter comprado um baixo... Essa sua paisagem me atingiu na alma, almas gemeas na busca de um mundo alem das aparências, das convenções, das ilusões... em busca da verdade em nossos corações...
Te amo para sempre!!!!!
Ps: Estou com saudade da sua voz...
Baixo-man!!!
"Vou viver outra prisão pra não lembrar você." Foda!!
Abraço
Velho, não tenho passado muito nem por aqui e nem pelo meu proprio espaço virtual...
Mas dei um saque por alto e gostei muito da ilustração de A Palo Seco. Ficou lindona. Arte.
Abs
Ps: estou viciado nessa musica ultimamente!
e ai os fios...
e essa triplice aliança blogal aqui??
cade vc batatorax??
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