
E não é que acabei indo no show do Coldplay ontem?
Na verdade, nem tava tão a fim de ir mesmo. Nunca fui muito fã deles e
o som nunca me animou muito. É como se ali não rolasse esse tal de roque enrow...
Aí, conversando com meu amigo Lau outro dia ele disse que valia a pena ir ver por que é uma superprodução gringa, outro nível técnico e tal...
Fiquei com isso na cabeça, mas achei meio bobagem, complexo de terceiro mundo...
Então ontem, em pleno domingão nublado e frio, às 15h na bucha, meu amigo e parceiro do rock Patinho, vulgo Luiz Henrique, me liga dizendo que tava comprando o ingresso no shopping:
- E aí, man? Vamo nessa?
- Porra, Pato... 300 tá foda... Pago não, rei! Nem sou fã desses xurumelas...
- Rapaz, é banda inglesa... Superprodução... Tem que ver!
E aí... click! Já viu, né? Eu que há alguns minutos atrás estava ouvindo Led Zeppelin e falando sobre como o rock inglês sempre foi muito mais foda que o americano e blá, blá, blá... Que no rock americano só tiro o Red Hot Chili Peppers, Nirvana e Pearl Jam.
- Ta bom, man! Já to fudido mesmo! Compra essa porra aí que eu deposito essa semana!
Aí foi pegar chuva pra andar até o metrô da Cinelândia. E tome fila! E tome olha a capa de chuva é 5 real! E tome ó o ingresso na mão! E tome mão boba pra revistar você! E tome cotovelada também com cerveja a 5 real! Ok, ok... It migh get loud! Muuuuuu!
Tem gente que paga até mais do que eu, 500 contos, pra ser tratado como boi. Que merda.
O show da Vanguart já tinha acabado e estava tocando uma menina da Bat for Lashes que não é bem o que eu chamo do tal de roque enrow... Mas vamos nessa...
Aí Patinho me vem com uma teoria que seria corroborada logo mais, a respeito das bandas de rock inglesas:
- Man, a Inglaterra colonizou, na verdade, todo o mundo ocidental. Sempre foi assim. Dominação pelo comércio, pela língua, pela cultura... Quando a gente ouve o british rock a gente se sente em casa.
E eu acho que ele tem memso razão. Além do que Beatles é Beatles sempre! Os caras inventaram isso tudo que está aí hoje. E o Led Zeppelin, no duro, inventou o rock´n roll – em inglês mesmo. E ponto.
Aí entra o bom mocinho Cris Martin e a sua trupe alada... O figurino deles parecia uma reciclagem do Sargent Peppers? Aquela coisa de casacos militares de prega, coloridos com ombreiras... Um quarteto e coisa e tal... Hum...
E as câmeras (que aliás tinham uma edição pré-programada muito de fuder) pegavam closes na mão do cara tocando o piano. E ele tava cheio de pulseirinhas coloridas, meio Robert Plant demais também...
Aí começou a doideira, né? Sobe a fumaça...
Eles tocam Yellow e, de repente, uma centenas de balões amarelos gigantes estão pulando sobre o enorme público da arena da praça da Apoteose (nem sei quantas pessoas assistiram esse show). E todo mundo fica meio bobo com todo aquele espetáculo de vídeo em telas enormes de alta definição, com imagens hipnóticas. Um monte de crianças querendo meter a mão nos balões e fazer tudo ficar mais high...
As músicas em si não tinham, deveras, lá o peso do som do Led Zeppelin, mas tava bem legal assistir a execução ao vivo. Bons músicos! O baterista batia forte mesmo.
A introdução de “In my place” lembra até a bateria de “When the levee breaks”...
Um outro momento muito foda foi quando o cara pediu que todo mundo sacasse seus celulares, acendendo o painel... Pô! Ficou de fuder....
Aquela platéia toda e todos aqueles recursos visuais... Luzinhas azuis em movimento caótico harmônico... Um negócio meio Avatar. Todo mundo em transe, balançando em volta da grande árvore da vida.
Depois ainda teve, em outra música, uma descarga de toneladas de borboletas de papel coloridas... Ficou bonito mesmo.
Guardei algumas no bolso e comentei com Patinho que se eu fosse uma menina, eu colava no meu diário.
E pra fechar o show de uma maneira que não poderia resumir nem caricaturar melhor o evento, um show pirotécnico, literalmente. Pra fazer frente com o réveillon de Copacabana!
Então, no fim das contas, pra quem nem tava a fim de ir, foi um espetáculo pra inglês ver! Já o tal de roque enrow.... Acho que esse ficou perdido em algum lugar dos anos 70...
2 comments:
eu devia ter ido pro RJ então.... o meu foi uó.
oi, cheguei aqui pelo blip. depois vou ler com calma...
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