Abrindo a porta do último andar, onde se esqueceu em casa quando já ia sair, apressado dá com uma cara assustadora. Assustadora sim, mas não estranha. Conhecida, que de tão conhecida amedrontava.
Fechando para descer ao térreo, o lugar onde lembra no fim todos vão parar, sobressalta-se com o irromper de um olhar apressado, que de repente passa a assustado. Sobressalto sim, mas não susto. Há quanto tempo não via aquele olhar?
Entrando corredor adentro, em seus passos da vida apressada, meio vazio ainda nas suas lembranças, esquece logo o susto. O susto, mas não a cara. Cara lembrada, que de tão estranha não a estranhava.
Saindo elevador abaixo, ali parado na vida espelhada, meio cheio já das suas memórias, lembrando do rosto, que ali mora. Mora, mas não paga. Memória, entre as tantas que o rosto lhe enrugava.
Vivendo a morte mais perto a cada acordar, não dorme no ponto, nem cai mais no conto. É tão pouco mês pra tanta conta que até fica tonto. Tonto, mas não cai.
O equilibrista bêbado, bambeando fora linha, só, a ele mesmo trai.
Morrendo a vida mais longe a cada adormecer, desperto, esperto, sereno pronto para o encontro. É tanta dor pra tão pouco corpo, que já fica pronto. Pronto, mas não sai.
O bêbado equilibrista, floreando seu fim de linha, vai vivendo. Vai...
Rápido é o passo, desvia para não ver. Sem olhar pra trás, ou o pela frente, passa de repente e não volta mais. Ausente, some nesse mar de gente, que nasce, vive e sempre morre crente de que tudo acaba.
Vazios de sentido são os olhos. Na maré baixa, mareiam com vento que sopra o que não volta atrás. Presente, contempla, brilha sem se apressar como toda essa gente, onde todos vão parar.
NOTRE
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Por que choramos quando um prédio se vai? Talvez porque ali havia
história, arte, cultura. Coisas que fazem parte de nós mesmo que não
admitamos. Que mexe...
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