
por Marcos Siqueira.
Sou um homem de família. De família grande. Grande mesmo.
De sangue, tenho meu pai, minha mãe, duas irmãs e um irmão. E uns 21 primos, pelo que consegui contar agora de cabeça. Tenho sete tios emprestados e só um de verdade. E tenho oito tias, sendo que seis delas são irmãs da minha mãe – da casa das sete mulheres - e que a minha tia por parte de pai é também minha dinda. Ainda tem também vovô Geraldo e vovó Yayá (vovô Eraldo e vovó Lourdes já foram embora...). E os agregados também estão no mesmo barco. Os namorados(as) e os maridos(as) das minhas primas(os) – e os que estão para chegar, né Silvinha? Os ex-namorados de minha irmã (ps1. não foram muitos... dois só, que eu saiba... ps2. me refiro a minha irmã mais velha, a mais nova – eu que sou o dindo dela – tem só doze anos... pode esquecer essa história de juventude precoce...), a namorada do meu irmão e ... Ah! Ainda tem as duas filhas da mulher do meu pai! E também os três filhos do marido da minha mãe. E, claro, minha boadrasta e meu brodastro!
(Abro esses parênteses por que esqueci de dizer que meus pais se separam quando eu tinha uns nove anos e que cada um casou de novo e que minha irmãzinha é só por parte de pai. Fecho parênteses.)
E aí, é claro, eu não posso deixar de mencionar os irmãos de coração. Por que eles também são verdadeiros irmãos mesmo. Não importa se são ou não são filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Irmãos com quem a gente cresce junto, com quem rimos e com quem choramos. Os irmãos que a gente vem escolhendo nessa vida por ai afora, nesse mundão de meu Deus. Os amigos. A galera. Os broders. Irmãos, companheiros de todo dia.
E já que esse mundão de meu Deus é tão grande e meu Deus não é só meu, é nosso, e Ele tem tantos filhos, que eu tenho também todos esses irmãos de alma.
Irmãos de humanidade. Irmãos em Deus.
Os irmãos do cotidiano. O irmão a quem eu dou bom dia de manhã cedinho, quase de madrugada, quando eu subo no ônibus e é ele quem está lá sorrindo, ou até mal-humorado, pilotando o caminho do começo do dia de um monte de gente.
Gente de dentro do ônibus. Irmãos de segunda-feira. Irmãos de engarrafamentos. De violência urbana, de superpopulação. De solidariedade, de cidadania, de respeito. De união. Todo mundo no mesmo barco. Ou barca furada. Ou não.
Os irmãos do trabalho. Que além de serem irmãos, jogam no mesmo time. Pra eles é que a gente mata a bola no peito e dá aquele passe na medida e deixa o parceiro de cara pra um golaço de placa! E quem ganha é o time todo! Nós. A grande família de todos os dias úteis. E dos inúteis também!
A família do horário de verão. A família nordestina. A família da roça. A família espalhada pelo mundo. Os amigos e irmãos, os estrangeiros e os brasileiros dos Estados Unidos, do Canadá (abraço pra meu primo Hugão, grande broder), da República dos Camarões, da Holanda, França e Suíça. Índia, Paquistão, Papua Nova-Guiné, Japão. Luanda, Peru, Egito e Pólo Norte.
Amazônia, pulmão do planeta. Brasil, coração do mundo.
A humanidade tão brasileira, quanto chinesa ou européia. Os irmãos virtuais.
Os irmãos WWW. Os trigêmeos DDD. Os XXY e os XXX, triplo X.
E até os fresquinhos irmãos KLB. É todo mundo irmão.
É. Sou mesmo um homem de família grande. Uma família com uns seis bilhões de irmãos. De pais, mães, tios, tias, primos, avós e afins.
Até lembrei agora daquele romance de Maria José Dupré que tinha na série vaga-lume – quem nunca leu? – e que até virou novela do SBT, “Éramos seis”... Me dá medo que isso seja um mau augúrio.
Tenho medo dos efeitos do aquecimento global. Medo da falta de água. De comida. Da falta de educação. Da falta de consciência. Da falta de limites. Da falta de respeito. Medo do bicho homem. Abel com medo de Caim. Medo da ciência usada para o mal. Medo das bombas.
Medo das palavras mal colocadas. Ou bem colocadas, na mira, para ferir o coração de algum outro irmão. Medo da escravidão física. Medo da escravidão mental.
De Caim matar Abel.
Medo da guerra.
Aí estava eu aqui, hoje à noite, em pleno sábado à noite, com tantos irmãos – e irmãs! – me esperando por aí, pensando numa frase de uma música do Araketu, “tambores pela paz mundial, é normal no carnaval, eu sou araketu na avenida...”
Tava pensando numa dessas geralmente bobas mensagens de fim de ano da rede globo. Só que essa, apesar de simples não era boba. E de quantas idéias muito simples já não construímos, nós mesmos dessa família humana, civilizações e impérios? A simplicidade do fogo e da roda. A invenção da matemática e da escrita. Do papiro.
Tudo muito simples. Muito revolucionário.
E a revolucionária idéia do comercial de fim de ano da globo – que inclusive já teve bons momentos do tipo “Esse ano eu quero paz no meu coração. Quem quiser ser meu amigo, que me dê a mão...” – dizia mais ou menos assim num diálogo que tinha também Edson Celulari e Cláudia Raia:
- E se todo mundo, todo dia se tratasse como irmãos?
-Bom dia, meu irmão!
- Bom dia, irmãzinha!
O mundo não seria bem melhor assim? Vamos precisar muito contar com nossos irmãos para enfrentar as barras que vem por aí. Nos dar as mãos. E vamos aproveitar ao máximo para aprender tudo o que ainda possamos aprender com a nossa maravilhosa diversidade cultural. Vamos aproveitar a geografia, os pontos históricos, turísticos e o avião. Enquanto ainda temos celular e internet. Vamos aproveitar enquanto ainda somos todos nós. Vamos nos conhecer. Aproveitar e vencer as nossas barreiras. Para que o amanhã seja melhor. Para saber a maravilha que aflora entre o raiar e o crepúsculo de uma vida. Entre o primeiro choro e o último suspiro. Vamos aprender a olhar nos olhos. A sorrir. A chorar. Vamos nos unir, enquanto ainda é tempo, para que a humanidade vença e supere todos os obstáculos. Que ainda seja humanidade.
Para nos tornarmos melhores.
Para sermos mais irmãos. Homens de família.
4 comments:
massa batata!!!!
eu ia ate escrver agora tambem, mas acho que nem vou pq nao poderia escrever nada diferente das coisas que voce falou ai!
ha muito o que pensar e refletir nessas suas palavras!
quando é que vem aqui de novo?
um abraçao meu velho!!
batatinha!
te amo meu irmão!
beiju grande!
Se acreditarmos, assim como você acredita, um dia chegaremos lá!
um grande beijo!
Adriana.
grande irmao!!!
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